Gabriel Fioravanti

A franquia Transformers, inspirada na linha de brinquedos de mesmo nome da Hasbro, atingiu um novo patamar com Bumblebee (2018). Depois de cinco filmes contando a saga dos Decepticons contra os Autobots, os derivados começam a criar forma e tem como pontapé inicial a história do simpático Camaro Amarelo, Bumblebee. Como um dos grandes coadjuvantes da franquia, o personagem ganha seu filme solo com a expectativa de rejuvenescer, trazer novos ares. E o filme cumpre bem seu papel, mas até do que o esperado, sendo uma boa surpresa dos blockbusters do ano, entregando ação bem conduzida, história com arcos bem definidos e personagens cativantes.

Bumblebee se passa em 1987 e acompanha o Transformer refugiado na Terra depois da guerra em seu planeta natal, Cybertron. Ele se esconde num ferro-velho, na forma de fusca amarelo aos pedaços, machucado e sem condição de uso. Até que  é encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos.  Ao mesmo tempo, os Decepticons vão até a Terra em busca de Bumblebee e com a intenção de por um fim definitivo na guerra dos Transformers.

Um dos pontos positivos do longa são os elementos que permeiam a história. Aproveitando a popularidade das protagonistas, o filme traz Hailee Steinfeld como Charlie, com uma atuação sólida e cheia de carisma, ideal para a personagem. Esse fato é uma correção de rumo da franquia Transformers – já iniciada em Transformers: O Último Cavaleiro, com a presença de Isabela Moner – porque até então tratava-se as mulheres basicamente com a função do sex appeal. Além disso, a contextualização de Bumblebee na década de 80 é fundamental principalmente para o resgate visual dos robôs. Vê-los em sua caracterização clássica – sem muitos adereços tecnológicos, mas o mais realístico possível – foi um notório avanço em relação a sujeira visual promovida por Michael Bay nos filmes anteriores.

Tanto a direção quanto o roteiro são pontuais e parecem dialogar muito bem. O diretor Travis Knight (Kubo: As Cordas Mágicas), apesar de ser o primeiro grande trabalho no cinema, mostra que tem um potencial enorme. A condução das cenas de ação foca na plasticidade de cada quadro; substitui a montagem frenética e excesso de elementos de Bay, por algo mais orquestrado, com intuito de imergir o expectador na cena, trazendo tensão, emoção e sentimento. A cena de abertura que se passa em Cybertron é um grande exemplo disso. Planos mais longos, explorando o ambiente para não deixar quem assiste perdido.  Muito disso é fruto do trabalho de Knight na sua produtora de animação Laika Studios, onde se preza pelos espaços bem construídos e fluidez de movimento.

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O roteiro fica a cargo da excelente Christina Hodson, conhecida por assinar os vindouros filmes da Warner/Dc, Aves de Rapina e Batgirl. Seu trabalho tem sido muito visado e elogiado em Hollywood e não é atoa. A história é bem concisa, não tem muita enrolação e procura focar no desenvolvimento dos personagens e suas relações, o que leva mais humanidade, veracidade e sentimento ao filme. Torna-se fácil e agradável acompanhar a interação entre humanos e robôs.

Apesar do acerto visual dos robôs, o fato de a história se passar em 1987, aparenta ser apenas uma “desculpa” para tal. O arco em si não necessariamente precisaria ser dessa época. Tirando as referências musicais e visuais, facilmente poderíamos achar que Bumblebee se passa nos dias atuais.

O personagem principal é trabalhado de uma forma muito cuidadosa. Às vezes, assumindo características quase de um “animal de estimação”, outras de nuances humanas, outras de um próprio robô, Bumblebee é único. Explorando de forma bem sutil alguns pontos específicos da história do Transformer – como a origem de seu nome – a sensibilidade no personagem é sem dúvidas o maior acerto dos realizadores. Vale ressaltar uma transição um pouco abrupta do modo de agir do robô, depois do mesmo sofrer na batalha inicial do filme.

Com boas surpresas, seja na abordagem da história e dos personagens, seja em cenas de ação empolgantes, Bumblebee é facilmente um dos melhores blockbusters de 2018. Fica o aprendizado de que até mesmo robôs podem ter um espaço reservado na vasta galeria de personagens carismáticos e bem desenvolvidos. Abre o olho Hollywood!

 

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